Santa Maria muda de posição no ranking nacional de casos de HIV/Aids

Arianne Lima

Santa Maria muda de posição no ranking nacional de casos de HIV/Aids
Santa Maria mudou de posição no ranking nacional de casos de HIV/Aids. Conforme o Boletim Epidemiológico de HIV/Aids 2022 divulgado pelo Ministério da Saúde na quinta-feira (1º), o município caiu da 10ª para a 60ª posição. O levantamento, que é composto por cidades brasileiras com mais de 100 mil habitantes, considera indicadores de taxas de detecção, mortalidade e primeira contagem de células do sistema imunológico (CD4) nos últimos cinco anos.

Atualmente, 2,5 mil pessoas vivem com o vírus no município. Conforme a coordenadora da Política Municipal de HIV, Sífilis e Hepatites Virais, Márcia Rodrigues, os fatores que teriam levado Santa Maria a retornar a 10ª posição após sete anos na lista vão desde uma possível demanda reprimida por conta da pandemia de Covid-19 até a conscientização e utilização dos serviços de testagem ofertados na rede pública de saúde.

Em alusão ao Dezembro Vermelho, mês de prevenção ao HIV e outras infecções sexualmente transmissíveis, Santa Maria conta com uma programação composta por rodas de conversa, capacitações e diversas ações.

Campanha

No Dia Mundial de Luta contra a Aids, celebrado na quinta-feira (1º), o Ministério da Saúde lançou uma campanha nacional para reforçar sobre a prevenção do HIV/Aids. Com o tema “Quanto mais combinado, melhor!”, a campanha de 2022 tem o objetivo de conscientizar e informar sobre as formas de se proteger e prevenir a infecção, principalmente entre os jovens de 15 a 24 anos, população mais afetada, segundo o boletim epidemiológico.

A estimativa de 2021 do Ministério da Saúde mostra que 960 mil pessoas estão vivendo com HIV no Brasil. No mesmo ano, foram detectados 40,8 mil casos de HIV e 35,2 mil casos de Aids. Cerca de 727 mil estão em tratamento. O novo boletim também revelou que há maior concentração dos casos de Aids em pessoas com idade entre 25 e 39 anos: 51,7% dos casos do sexo masculino e 47,4% dos casos do sexo feminino pertencem a essa faixa etária.

Houve queda de 24,6% no coeficiente de mortalidade por Aids padronizado, que passou de 5,6 em 2011 para 4,2 óbitos por 100 mil habitantes em 2021, apesar do provável impacto da pandemia de Covid-19 no coeficiente de mortalidade do último ano.

O boletim do Ministério da Saúde aponta que a taxa de detecção da Aids em menores de cinco anos apresentou queda nos últimos dez anos, passando de 3,4 casos a cada 100 mil habitantes em 2011 para 1,2 casos a cada 100 mil em 2021, o que corresponde a uma redução de 66%. Já a taxa de detecção de HIV em gestantes aumentou 35% no mesmo período.

Novas ações

O cenário torna muito importante a disseminação de informações sobre o uso combinado de novos métodos de prevenção, como as profilaxias pré e pós exposição (PrEP e PEP). Em 2022, com a atualização do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT), a recomendação da profilaxia foi atualizada para todos os adultos e adolescentes com mais de 15 anos sob risco de infecção.

A estratégia do Ministério da Saúde também tem priorizado a promoção do uso de preservativos e do incentivo à testagem regular, fundamental para a detecção precoce do vírus entre a população mais jovem. Para reduzir a transmissão vertical, o órgão deve investir na qualificação do cuidado, acompanhamento e detecção precoce da doença, a partir da estratégia Certificação da Eliminação da Transmissão Vertical, que fortalece as gestões locais do SUS e aprimora ações de vigilância, diagnóstico, assistência e tratamento das gestantes, além da capacitação de profissionais de saúde.

Em janeiro, está prevista a distribuição de um medicamento, o dolutegravir 5 mg, para crianças vivendo com HIV/Aids com mais de quatro semanas de vida. Conforme a pasta, o Projeto de Reestruturação dos Centros de testagem e Aconselhamento (CTA), em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), também deve ser apresentado, na busca por oferecer serviços específicos para os CTA integrada à rede de Atenção Primária.

Arianne Lima – [email protected]

*com informações do Ministério da Saúde

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